Simone Tenório de Carvalho é uma mãe militante pela amamentação materna, que vem movimentando as redes sociais com o grupo Aleitamento Materno Solidário. O grupo discute temas relacionados à amamentação e ajuda também as mães que desejam doar o leite ou que precisam recebê-lo. As participantes são super ativas e estão sempre postando reportagens, matérias e artigos garimpados na web sobre o assunto. Além disso, Simone teve a iniciativa de criar um grupo onde possam circular anúncios de empresas que apoiam as famílias, oferecendo produtos de qualidade, que não contrariem o princípio da defesa e do estímulo à amamentação natural. Neste segundo grupo, as mães podem ficar sempre ligadas nas promoções e novidades das marcas parceiras. A What Mommy Needs acompanha o trabalho dessa grande ativista desde o comecinho, e se orgulha de manter essa parceria!
É um privilégio tê-la aqui com uma entrevista informativa, cheia de dicas práticas e saudáveis para você seguir amamentando sem medo ou para você que pretende se preparar para fazê-lo quando seu bebê nascer. Além disso, Simone é uma estudiosa no assunto, e nos ajuda a entender os mitos que atrapalham muito um processo de amamentação tranquilo e prazeroso. Aproveite o post para tirar suas dúvidas e entrar em contato com a especialista!
WMN: É necessário buscar ajuda e orientação quanto ao aleitamento materno durante a gravidez? Por que?
Simone: Sim, é necessário e importante. Porque diferente do conceito que amamentar é um processo relativamente “fácil” sendo só posicionar o bebê no seio, o processo de amamentação possui uma complexa estrutura de apoio à mãe e ao bebê. Quanto mais empoderada for a mãe e souber de todos os processos da amamentação e das diversas técnicas para que ela seja um sucesso e prazerosa para ambos, mais alta será a eficácia. Essa orientação está em vários lugares: grupo de apoio à amamentação, o banco de leite humano do Brasil, cursos para gestantes em maternidades e consultoria especializada na área.
Simone: São vários e irei citar alguns mais frequentes:
1. O mito do “leite fraco”;
2. Ingerir mais leite aritifical produz mais leite materno;
3. Seios pequenos não produzem leite suficiente para o bebê;
4. Que a amamentação é dolorosa;
5. Lavar os seios antes das mamadas;
6. Fórmulas artificiais são idênticas ao leite materno;
7. Mães com bico invertido, mamoplastia redutora e com prótese não podem amamentar;
8. Amamentar “cai os seios”;
9. Bebê que arrota no seio faz a mama inflamar e causar abcessos e mastites;
10. Quem trabalha fora não pode continuar amamentando.
Sim, é possível. Essa é a boa notícia! Ela pode voltar a amamentar através do processo da relactação. É importante que a mãe tenha o acompanhamento de um profissional especializado, pois este processo envolve não só questões técnicas de manuseio e aplicação, mas também um trabalho emocional para a mãe. Amamentar possui um fator emocional de aceitação e vontade que são fundamentais para o sucesso da mesma.
E como funciona o processo?
“Uma sonda do tipo nasogástrica nº4 ou uma de aspiração – facilmente encontradas em casas de materiais cirúrgicos–tem suas pontas cortadas e aparadas. Uma das extremidades é fixada, com fita hipoalergênica, ao mamilo da mulher e a outra é mergulhada em um recipiente com leite humano, que pode ser obtido em um banco de leite. Ao sugar, o bebê recebe o alimento através da sonda, ao mesmo tempo que estimula a mama. A sucção induz a hipófise, glândula localizada no cérebro, a comandar a produção dos hormônios prolactina (responsável pela produção de leite) e ocitocina (responsável pela ejeção). O interessante é que o bebê não desiste de sugar porque tem o leite como motivação, para saciar suas necessidades, ainda que não seja, integralmente, proveniente de sua mãe. À medida que a produção materna aumenta, menos complemento é oferecido, através da sonda. O processo todo dura de 15 a 45 dias e depende de uma série de fatores como a idade do bebê, o intervalo entre o desmame ou parto e o momento da relactação, a rede de apoio com que a mulher conta, o acompanhamento profissional, a correta estimulação das mamas – que deve acontecer, impreterivelmente, a cada duas horas, totalizando 12 vezes em 24 horas – e, principalmente, a motivação da mãe, já que esse é um processo que demanda tempo e energia não só dela como de toda a família. É preciso, também, que os parentes ajudem a mulher, com os afazeres domésticos, para que ela esteja disponível para relactar.” (Por Grasielly Mariano)
WMN: E para aquelas que tem muito leite e podem ficar com o seio “empedrado”, é possível doar?
Simone: Sim, é perfeitamente possível e um lindo ato que salva muitas vidas! Primeiro a mãe precisa cuidar do empedramento e das possíveis inflamações. O correto é que a mãe ordenhe as mamas antes das mamadas e deixar que o bebê esvazie as mamas, para evitar a obstrução dos ductos mamários. Compressas quentes quando empedrados é também de grande auxílio. Para doar o leite, temos todas as informaçãos no site da FIOCRUZ, na página: http://www.redeblh.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=360
WMN: Na sua opinião, quais são os principais obstáculos para um aleitamento saudável e prazeroso?
O principal obstáculo é a mãe não acreditar em sua plena capacidade em amamentar e nutrir o seu filho apenas com o seu leite. Outros fatores são: conselhos familiares, a falta de manejo e conhecimento com as fases de choro e sono dos bebês; introdução precoce de fórmulas artificiais, chupeta e mamadeira que causam confusão dos bicos, stress materno, volta ao trabalho e o uso indiscriminado de conchas, bicos de silicone e até bombas de forma incorreta.
WMN: Em que consiste o mal uso das bombas e conchas? Como elas podem ser utilizadas de forma a garantir benefícios para mãe e bebê?
Simone: As bombas de extração do leite materno devem ser utilizadas com muito critério e se possível, com orientação profissional. No caso das bombas, o mal posicionamento das mamas e a pressão da mesma (no caso das elétricas) podem desencadear processos de mastites, por exemplo. Mas elas vem se tornando cada vez mais, grandes auxiliadoras no prolongamento da amamentação, inclusive pelas mães trabalhoras, pois além de aliviar as mamas no local de trabalho, garantem o leite materno para seus bebês. Para saber mais:http://consultoraemamamentacao.blogspot.com/2011/08/bomba-eletrica-para-extrair-o-leite.html. Quanto às conchas, é importante que elas sejam testadas pela mãe: existem no mercado vários formatos e modelos e é preciso saber qual é mais adequado á mama da mãe. Muitas mães utilizam a concha para formar o bicos dos seios (os que são pequenos, protusos, invertidos) mas ela não á garantia em 100% dos casos. A grande eficácia neste processo, é a própria sucção do bebê. Outra função, é a proteção do seio no processo de rachaduras e fissuras. Mas, o cuidado com a sua higienização deve ser redobrado, para evitar o risco de infecções. Assim como a bomba, o seu uso tem de ser criterioso e limitado. E, infelizmente o leite que vaza em seus depósitos, devem ser desprezados.
Acesse as páginas do grupo no Facebook: Aleitamento Materno Solidário e Anúncios AMS.
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